17/08/2026 - Pesquisas de opinião registram preocupações dos brasileiros e temas que consideram prioridade
Há 30 anos, as pesquisas de opinião registram as preocupações dos brasileiros, os temas que os eleitores consideram prioridade, os problemas que ganham urgência. As percepções, as demandas, os anseios. Olhar para essa história é estar atento à democracia. O repórter Carlos de Lannoy mostra como a Quaest e o Datafolha documentam essas respostas em um trabalho científico de pesquisa.
Cada voto depositado nas urnas expressa desejos e preocupações do eleitor. E se mexe com a vida dos brasileiros, os institutos de pesquisa vão às ruas escutar. O Datafolha faz a mesma pergunta desde 1996: qual é o principal problema do Brasil?
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“Então, é uma pesquisa presencial, com pessoas com 16 anos ou mais. E a gente pergunta de forma espontânea. Então, não é apresentado para o entrevistado nenhuma lista de problemas. E aí a pessoa responde, espontaneamente, aquilo que está incomodando a sua vida hoje”, explica Luciana Chong, diretora do Datafolha.
Segundo o Datafolha, no fim dos anos 1990, o principal problema no país era o desemprego. A partir de 2008, a saúde passou a ocupar o topo com frequência. No fim de 2015, a corrupção chegou ao primeiro lugar. Na pesquisa divulgada em junho de 2026, a saúde é o problema que foi mais citado. A violência, em segundo, e a economia logo depois. Ao longo deste período, educação sempre esteve entre as cinco principais preocupações dos eleitores.
“A educação é um fator que sempre é mais citado pelas pessoas com mais escolaridade e também pelos mais jovens. Então, entendendo que os jovens ainda precisam da educação para conseguir atingir os seus objetivos e que isso é uma preocupação também”, diz Luciana Chong.
Há 30 anos, pesquisas de opinião registram os temas que eleitores consideram prioridade
Jornal Nacional/ Reprodução
Em pesquisas realizadas nos últimos cinco anos, o Instituto Quaest também faz uma pergunta: o que mais preocupa o brasileiro hoje? As respostas são espontâneas. Em julho de 2021, era a saúde. Em novembro do mesmo ano, a economia virou o maior desafio. Desde janeiro de 2025, violência passou a ser a grande preocupação. Em agosto de 2026, na Quaest, a violência continua no topo. Depois vem problemas sociais e, em terceiro, corrupção. Educação também apareceu entre as seis principais preocupações ao longo do levantamento.
“O que a gente identifica nas pesquisas é que o país que as pessoas desejam é um país muito concreto. Ou seja, há problemas muito reais, que tocam diretamente a vida das pessoas”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV.
A cada eleição, os brasileiros carregam expectativas que variam de acordo com a realidade da sua cidade ou do seu estado. Mas os pesquisadores dizem que conhecer o eleitor exige um mergulho ainda mais profundo. Idade, gênero e renda também fazem diferença. Jovens começando a vida profissional buscam caminhos para estudar, empreender e acessar as novas tecnologias.
“Eu chamo essa turma de a 'geração.com', a geração que vem depois da internet. Claro, está preocupada não só com a dinâmica tradicional do trabalho, mas sobretudo com as incertezas e inseguranças que marcam a vida dessa juventude, por exemplo, em relação à tecnologia, à dinâmica de o que vai acontecer depois que a IA toma conta, de fato, do mercado de trabalho. É um público que está preocupado com o futuro”, diz Felipe Nunes.
Cada região do país tem as suas prioridades.
“No Nordeste, a questão da segurança e da saúde aparecem muito fortes. No Sudeste, a segurança é mais citada. No Sul, já não. No Sul, a segurança já não tem uma citação tão expressiva, mas a saúde é uma preocupação maior”, conta Luciana Chong.
“Os brasileiros sabem que a eleição é um momento perfeito para que a gente olhe para a urna, olhe para os candidatos, pense sobre as propostas e escolha aquilo que é o futuro do país. Então, quando a gente escuta as pessoas nas pesquisas principalmente qualitativas, fica muito evidente como as pessoas querem acreditar em mudanças, melhoras, aprimoramento. Porque elas, acima de tudo, acreditam no Brasil”, diz Felipe Nunes.
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